A pescaria começa antes de sair de casa

19 de setembro de 2026 · 2 min

Meu avô pescava, meu pai pescava, e os dois traziam tanto peixe que isso sempre fez parte da vida lá em casa. Minha avó fazia uma torta de peixe maravilhosa. Começaram a me levar ainda pequeno, e fui aprendendo naturalmente, olhando o que meu pai e meu avô faziam. Naquela época era mais pesca no gelo, mas no verão também tinha pesca com vara de molinete e com redes.

Uma das lembranças mais vivas que tenho da infância é meu avô sentado durante horas à noite, fazendo uma rede de pesca à mão. Ele tinha aqueles fios muito compridos e ficava ali trabalhando numa rede que depois usaria para pescar. Às vezes eu chegava perto e ele tentava me mostrar como fazer, embora eu ainda fosse muito pequeno. Havia algo de meditativo naquele trabalho.

A viagem pode durar alguns dias, o que hoje acontece muito raramente, ou ser uma pescaria de fim de semana num lago de pesca paga, num rio ou num lago em plena natureza. Seja onde for, para mim ela começa ainda em casa, quando separo o equipamento, arrumo a bolsa e deixo a roupa pronta para sair de manhã.

Depois de um período longo de trabalho, principalmente quando estou mentalmente cansado, só essa expectativa já começa a mudar como me sinto. Ainda estou andando pelo quarto, mas quase sinto o cheiro do rio ou do lago, imagino a neblina e aquele silêncio da manhã. Na minha cabeça já fui.

E às vezes a pescaria em si acontece assim. Uma vez fui com um amigo que não via havia muito tempo a um lago de pesca paga, onde criavam e alimentavam os peixes, então a gente achava que ia pegar alguma coisa com certeza. Chegamos por volta das seis da manhã e tentamos pescar com boia e com a isca no fundo, mudamos de lugar, fomos experimentando em diferentes pontos do lago. Lá pelas cinco ou seis da tarde já tínhamos até entendido o formato do fundo e, perto do fim, finalmente pegamos uma concha. Foi isso que levei para casa no lugar de peixe.

Mesmo assim foi um dia bom. A gente conversou, eu nadei algumas vezes, passamos o dia juntos ao ar livre. Pescar não é meu trabalho, então voltar com aquela concha não fez a viagem toda dar errado. Eu vou para descansar, seja com alguém ou sozinho, sentado olhando a água, com uma fogueirinha por perto e os pensamentos se acalmando aos poucos.

O que eu acho ruim é acabar tão rápido. A semana de trabalho parece longa, aí você finalmente sai, chega, arruma tudo, começa a pescar e, quando vê, já é noite e na manhã seguinte tem que ir embora. Hoje só consigo sair para uma pescaria dessas a cada três ou quatro meses, então sempre fica aquela sensação de, poxa, como é que passou tudo tão depressa? Mas volto descansado, renovado, mesmo quando não trouxe peixe nenhum.

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